carta ao irmão
E me invadem saudades das nossas conversas pretensiosas, da sensação de tocar no fogo das nossas almas, de nos sentir em suspensão do mundo nas entranhas das nossas ideias e pensamentos. E um cordão de imagens, um comboio de lembranças, um cortejo de afetos passam em carnaval. Porque é assim que te vejo hoje, com a intensidade que pensei que sustentaria até o fim, mas que ficou ali pra trás, amarelecendo como as fotos mais antigas desse baú. Não pense, no entanto, que isso é um lamento. O gosto pela nostalgia ainda me soa a deleite lânguido, estado mde espírito que cultivo ainda hoje, mas que reservo aos meus santuários mais íntimos, onde surges dos resquícios. Marcas. Tarde no jardim, com um livro equilibrado sobre as pernas cruzadas enquanto tentas acender o cachimbo. Algo nunca superado! Minha mãe havia te dado um cachimbo feito de madeira de roseira e isso sempre me fazia sorrir de indignação! Mas ali, no jardim de outrora, quanta afetação! Éramos baluartes de nós mesmos e acr...