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Limites sutis

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Agora, peço licença, falo por mim. Tempos atrás, convivendo com um companheiro, percebi algo nos seus movimentos do corpo a andar, como que um incômodo impresso  num arrastar de pés que fazia com que sua sandália de couro parecesse uma prancha sob a qual ele estava constantemente deslizando. Observei essa sensação de fenômeno, já que o objeto da minha observação não estava muito claro para mim, até que ele se fez plenamente: notei que a faixa do calcanhar estava irremediavelmente frouxa e dava ao meu companheiro a sensação de que, a cada passo, o calçado lhe escapuliria, voando a frente. Chegamos em casa e cortamos a faixa que enganava meu companheiro. Lembro da expressão de alívio e da leveza com que passamos a caminhar pelas ruas de Manaus. O mais notável disso que considero uma anedota filosófica é que ele só tenha notado a sensação de liberdade/incômodo ao caminhar após a minha observação e constatação.  Se isso é possível, se somos capazes de tais cegueiras cotidiana...