(SEM TÍTULO)
o nome deste texto é "sem título". eu o resolvi batizar assim porque não pensei em nada de muito criativo, e esse é um adjetivo que não tem caído como uma luva em mim nos últimos dias. Então pensei: "há outra forma de ser criativo, meu caro alexandre, do que escrever um texto em que admite que a tua criatividade tem andado a zero e terminar por chama-lo de 'sem título'?" - se tal sugestão partisse de outra pessoa eu a acharia uma merda, mas como fui eu mesmo quem disse num daqueles papos esquizos que neguinho tem as vezes de si para consigo - diálogos internos, manja? -, eu me respondi com um singelo "vai se foder". assim, a minha voz interior se calou. Provavelmente deve ter se magoado. foda-se.
imaginei um milhão de situações sobre as quais escrever, algumas mirabolantes demais, tão mirabolantemente boas que eu mal podia acreditar que as tive, e quando as tinha as anotava em um caderninho, mas quem disse que eu conseguia desenvolvê-las? vivia o meu bloqueio de escritor, no qual nem uma vírgula sai, e quando ela sai é com a mesma força de algo que a gente bota pra fora durante uma sessão de exorcismo intestinal. e aí era assim, eu ficava olhando para o papel (ou não total9mente, já que as duas primeiras linhas estavam completas), intimidado pela sua muda brancura que me desafiava a fazer algo: - bora, porra!
(às vezes me lembro de um papo com um amigo: a gente conversava sobre o que significava escrever. esse meu amigo me soltou a seguinte: escrever é mijar no próprio pé - a minha voz interior me pergunta se eu tive alguma ideia melhor)
**********
tou encostado no muro em frente de casa, é noite e faz calor.
um cigarro queima entre meus dedos.
olho para o céu e penso que um dia as estrelas vão cair, o chão vai ficar salpicado delas.
nessas horas o péssimo poeta tenta abandonar o seu cinismo...
imaginei um milhão de situações sobre as quais escrever, algumas mirabolantes demais, tão mirabolantemente boas que eu mal podia acreditar que as tive, e quando as tinha as anotava em um caderninho, mas quem disse que eu conseguia desenvolvê-las? vivia o meu bloqueio de escritor, no qual nem uma vírgula sai, e quando ela sai é com a mesma força de algo que a gente bota pra fora durante uma sessão de exorcismo intestinal. e aí era assim, eu ficava olhando para o papel (ou não total9mente, já que as duas primeiras linhas estavam completas), intimidado pela sua muda brancura que me desafiava a fazer algo: - bora, porra!
(às vezes me lembro de um papo com um amigo: a gente conversava sobre o que significava escrever. esse meu amigo me soltou a seguinte: escrever é mijar no próprio pé - a minha voz interior me pergunta se eu tive alguma ideia melhor)
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tou encostado no muro em frente de casa, é noite e faz calor.
um cigarro queima entre meus dedos.
olho para o céu e penso que um dia as estrelas vão cair, o chão vai ficar salpicado delas.
nessas horas o péssimo poeta tenta abandonar o seu cinismo...
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