Raiva
Dos afetos que te levam às cercanias do ser, a raiva tem sido um dínamo que põe de volta em movimento a passividade, restaurando a possibilidade de alheamentos e devires, de afirmação radical da destruição dos altares, do estabelecido. Em toda raiva há um desejo revolucionário em jogo, imerso numa energia que potencializa a violência, a morte, a execução. Quem ousa negar a necessidade desse afeto? Decapitemos os tiranos e vicejemos! diz a raiva.
Observar a explosão desse pathos (e que se note a expressão corriqueira com que nos reportamos ao momento em que o fenômeno eclode, explosão) serve para sustentar sua importância dentro dos processos de mudança. A raiva nasce no indivíduo que se encontra em um contexto em que a realidade dos fatos externos se tornou insustentavelmente esmagadora, forçando-o a reagir de forma enérgica. Nesse sentido, a raiva difere do ódio, que é uma raiva cultivada desnecessariamente. Ela, por outro lado, é uma reação ao contexto, portanto, contextualizada a um espaço que o indivíduo deve agir a fim de transformá-lo. Até onde nos leva a nossa raiva?
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