Dentro da noite mais escura


Dentro da noite mais escura,
As folhas secas caminham pelo chão do pensamento.
Amontoam-se como quer
O vento, padrão fortuito das emoções.

Dispersa é a minha alma
Nas sobras dos dias que se acumulam.

Dentro da noite mais escura,
Escuto os rumores do vento sobre o dia
Que não tardará a se eclipsar.
Pois...
Sobre o sol vão restar as folhas
Que a minha vida lançou ao chão que ardia.
E ardendo, o sol se alimentará,
Consumindo as folhas quebradiças que a memória
Envia pra queimar.

Dentro da noite mais escura...
Sou Prometeu soerguendo a tocha
Ante minha alma humana
Condenada que estou à rocha
E à fogueira insana
Das paixões.

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