Abebé psicanalítico
e todo aquele lance platônico-freudiano
deslisando sobre os corpos dos homens,
incautos e alheios,
que já amei.
Eles decalcam,
eu declinei.
Não é a falta
o que em ti busquei,
(a cova soturna dos afetos-fantasmas,
reproduzindo o objeto perdido
no reencontro que alucina)
mas o que tenho, sofro,
no meu rosto que jamais saberei.
Nos retratos do que me escapa,
que rosto escondo a cada presença?
Foge o que persiste na imagem turva
que teu rosto reflete do meu,
ali
onde o fetiche forma a crença.
Que brilho no nariz reluz, que ar sandeu?
Estigmas de uma dor que não morreu...
sinais, teu corpo descobrindo o meu.
Não, não é a falta, a dependência, ou medo
dos joelhos trêmulos do cativo,
coita amorosa desfilando vasta
pelos salões palacianos desse museu de afetos;
é o que sou que retorna
e sai dramaticamente da neblina dos teus olhos;
é o reencontro com essa presença em mim
de quem fugia, escondia e ardia.
O amor e suas latências.

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